

Maria do Socorro Ricardo e José Cavalcanti Almeida (Zezito)
Se a arte é a expressão das emoções, escritor/a é escritor/a quando a criação superar a criatura. O trabalho do/a escritor/a, o trabalho intelectual do/a escritor/a, e, daí, trabalho diferente do pedreiro que ergue um prédio, diferente do médico que remedia uma vida. O trabalho intelectual do/a escritor/a é quando este for maior que o/a próprio/a escritor/a (Maria do Socorro: "José Ricardo Sobrinho: um mágico da música", 1997). Santana do Ipanema: Terra de escritores




Com seu quadro pictórico a cidade tem pinturas justapostas, camada após camada até o pintor se desfazer do que começou a fazer. A primeira pintura para a qual o artista plástico foi contratado fazê-la e não recebeu; pintou outro quadro sobre a pintura original; e, quando não tinha mais tela, outra vez usou a mesma para figurar suas impressões de um monumento que ocupa o velho centro no mercado público. A cidade nunca para de ser construída, reconstruída, de devorar, de ser devorada, conforme escrevera o ensaísta santanense Marcello Ricardo Almeida. A cidade hoje é uma, amanhã será outra, de prédios engolindo prédios, pontes devorando pontes, antropofagicamente, a cidade se autodevora, a cidade é sempre inacabada. E se a cidade para de se devorar, morre por inanição, vira cidade apagada. São os sentimentos da cidade, assim também da arte pictórica. E este olhar sobre a cidade é também um reolhar sobre Santana do Ipanema, a cidade do poeta Marcello Ricardo Almeida.